
EXALTAÇÃO A UMA GRANDE DIVA

Na década de 80, nos encantamos com a magia da Ala das Feras.
Vimos em sua matriarca a voz amiga que deveras,
Exaltava o comprometimento que nos preenchia,
O Amor que nos conduzia no Templo Verde e Branco, Sagrado do Samba,
Que envolvia gente Bamba, a exaltar a sua arte, que encantava Madureira.
Matriarca que nos embalava em seus braços, aguerrida e guerreira,
Que ao erguer a sua taça, com euforia, bradava seu canto, com fidalguia.
Imperiana, com patente, no meu samba expoente.
E quem não a conhece é só abrir o seu livro
Pois só demente que não a vê como história de nossa história.
Inteligente, comunicativa, movida pela razão.
Enfurecida, felina, quando desmentida, dinâmica e precavida,
Submersa em amor e paixão em tudo que fazia –
Á busca pela felicidade, à busca em equilibrar seu magnetismo e energia.
A esperança de colher inovação no presente intenso que vivia.
Caráter forte e perspicaz, aflorados na capacidade de liderança.
Sabedoria que irradiava versatilidade evidente, em aquarela reluzente.
Revelada como pensa, sente e age, com princípios e ideologias,
Que personificava seu espírito livre e encantador.
A musa se vestiu de verde e branco e o pranto se fez canto
Em momentos de intenso fervor.
Matriarca que muitas vezes emprestou seu calor,
Que embalou em seu colo, filhos aflitos,
Onde muitos deitaram, dormiram e rolaram e isolaram suas dores.
Sentimos sua influencia e a lembramos,
E sempre iremos lembrá-la, em cada verso da cantoria imperial,
Enfeitiçado pelo seu carinho maternal.
Eu quero... Queremos... te saudar nesta avenida,
Pra valorizar a vida, que a vida valorizou.
Homenagear àquela que muito nos encantou,
Sem entender porque a pressa em nos deixar,
Sem se quer acenar,
Sem se quer um beijo nos dar...
Mas nos conforta, ao menos em saber,
Que deve Deus nova missão a ceder.
Só nos resta saudosos ficar, em acalantos bradar,
Em doces lembranças exaltar,
Pois sabemos que seus fãs irão chorar saudades
Em não vê-la na avenida desfilar
Mas, certamente, em cada noite fulgente,
Brilhará no céu mais uma Estrela Divina,
Eternamente reluzirá, a mãe, a tia,
A nossa estimada e sempre Eulina.
Cosme Dantas & Nilton Fernandes – Ala Heróis da Liberdade
Rio de Janeiro, 27 de setembro de 2015.
Obs.:
A Ala Heróis da Liberdade, através de seus responsáveis, Cosme Dantas & Nilton Fernandes (1), ao prestar esta singela homenagem a Eulina Cunha da Costa (2), deseja aos componentes da Ala das Feras, um grande desfile, pois onde quer que ela esteja estará feliz em vê-los defendendo o Pavilhão Imperial, especialmente, a Ala das Feras.
1 – desfilou na Ala das Feras por dois anos, na década de 80;
2 – Presidente da Ala das Feras, madrinha da Ala Heróis da Liberdade com o padrinho Ernesto Nascimento, carnavalesco (in memoriam).